O Festival Mundial de Artes Negras, o FESMAN, como o próprio nome já diz, celebra as artes negras. Tendo como base teórica o Pan-Africanismo cultural, que propõe a união da África como forma de potencializar a voz do continente no contexto internacional, o FESMAN busca apresentar ao mundo o caldeirão cultural da África e da diáspora negra no mundo, promovendo um encontro de todos.

O FESMAN não é um evento espontâneo, possui vida, alma e história. A primeira edição do Festival aconteceu em Dakar, Senegal, em 1966, promovidos pela República do Senegal e a UNESCO. Dakar era a capital de um país novo e recém independente, e serviu como símbolo de um reencontro da África com a África depois de meio milênio de caos, marcado pela escravidão, deportação e colonização. O evento mostrou que a África havia transformado a deportação em riqueza por meio do dinamismo da Diáspora, que conseguiu manter suas origens apesar da brutalidade dos homens. O tema do Festival foi “O significado das artes e cultura negra na vida dos povos e para os povos” . A delegação brasileira para o Festival foi organizada pelo Ministério das Relações Exteriores e compreendia uma comitiva de capoeiristas angoleiros, dentre eles, o grande expoente da Capoeira de Angola, Mestre Pastinha.
A segunda edição do FESMAN aconteceu em Lagos, Nigéria, em 1977 e foi considerada “uma senhora reunião, sob a árvore da concertação para as áreas de acordo entre as várias culturas que tem sido alimentadas com a mesma fonte, com o mesmo indestrutível fermento”. Seu tema era “Civilização Negra e Educação” . O Brasil, novamente teve sua participação oficial organizada pelo Ministério das Relações Exteriores e contou com a presença do Ex-Ministro da Cultura, Gilberto Gil.
A terceira edição do FESMAN acontecerá novamente em Dakar, Senegal, e o Brasil será o país convidado de honra, responsabilidade aceita em 2004/2005 pelo Chanceler Celso Amorin e pelo então Ministro Gilberto Gil. Renascimento Africano o tema do III FESMAN, não poderia ser melhor escolhido, pois buscará discutir o papel do mundo negro no terceiro milênio. Com o empenho pessoal do Presidente do Senegal, Sr. Abdoulaye Wade, um panafricanista convicto, o FESMAN terá seu enfoque na união das políticas nacionais e na integração com as culturas dos países da Diáspora, países, estes, com grande influência em suas expressões culturais. Por essa razão, um dos subtemas do Festival será a “Afrodescendência na América”. A contribuição da cultura negra na formação desses países será destacada no festival, nas apresentações artísticas e nas performances, além de um colóquio de intelectuais que está sendo organizado paralelamente.
O Brasil foi escolhido como país convidado de honra por comportar a segunda maior população negra do planeta e por conseguir conservar as manifestações de origem africana em sua essência. Entretanto, isso não significa que a cultura brasileira é a simples representação do que há na África, houve agregação de valor. Além dos negros africanos, os índios e portugueses também contribuíram enormemente para a miscigenação e formação do que hoje se define por cultura no país. O Brasil também veio da África, mas não é a África, possui identidade própria e é exatamente isso que se pretende apresentar no Senegal, sempre com um grande respeito pelo continente mãe que ofereceu as bases culturais para a formação do Brasil étnico e culturalmente diverso de hoje. O Brasil pretende apresentar o que a diáspora acrescentou a tradição africana.
Leia o texto completo no ANEXO IX – Release III FESMAN (Versão em DOC)




MuitoO massa eu naum sabia que tinha festival que valoriza a arte negra e ameii a reportagem.